Bairro Nossa Senhora das Graças

HISTÓRIA DO BAIRRO
G
E
C
P
S
Situado a 1,5 km do centro da cidade e contando com aproximadamente 1.600 habitantes, o bairro ocupa uma área privilegiada, localizada entre a encosta Noroeste do Morro da Cruz até o parque D. Bosco e a Rodovia Contorno Sul, da qual a Universidade e vizinha.
o antigo matadouro de bois construído no local, em 1908, só restam lembranças e o nome comumente conhecido por todos: “Matadouro”. Topônimo esse que causa estranheza para quem descobre a sua história. Como diz o senhor Luiz Carlos de Souza: “Matadouro, porque tinha o matadouro de boi aqui dentro, não é nada de matador não, isso aí é palhaçada, aqui é o Bairro Nossa Senhora das Graças. Tinha aqui o matadouro de gado da prefeitura, o boi passava por aqui e derrubava tudo, derrubava o cocho das moças lavar roupa (…) eles pensam que é matador de gente. Que nada moça”. O senhor Luiz tem razão: eles pensam, nós pensamos. E o que dizer quando descobrimos que ali havia uma bela planície, que já foi um córrego de cachoeira do morro. Dona Tereza da Silva comenta: “As moradoras lavavam roupa na água da cachoeira que vinha do morro”. Dona Suêmia Ferreira da Lua lembra-se bem desses tempos: “Não havia água, lavava roupa no ribeirão”. Dona Odete Sarmento complementa “… pegávamos água da cachoeira, com uma lata de querosena”.
Segundo registros oficiais, em 1930 havia apenas um único morador no local. A partir desta data, a cidade de Itajaí sofreu profundas transformações demográficas. A indústria madeireira, bem como as atividades portuárias e marítimas, atraíram um grande contingente populacional. Muitas famílias de regiões vizinhas vieram para Itajaí em busca de novas possibilidades. Essas pessoas tiveram que se adaptar ao meio, bem como seus sonhos e projetos às condições reais que aqui encontraram.
Toda essa densidade de lutas travadas pela vontade de viver está nos relatos destes moradores. Homens e mulheres que, através de suas experiências sociais e de suas condições reais que aqui encontram.
Será entre 1949 e 1954, com o fim da Segunda Guerra e com a instalação do ramal ferroviário Itajaí/Blumenau, que este fluxo migratório aumentará consideravelmente. Nesta época, no lugara ainda chamado de “Matadouro”, já contavam 60 famílias, havendo uma crescente e sistemática expansão do local.
Toda essa densidade de lutas travadas pela vontade de viver está nos relatos destes moradores. Homens e mulheres que, através de suas experiências sociais e de suas contradições, na forma de viver e construir suas vidas, na diversidade do cotidiano do lugar e na riqueza de seu imaginário, constituíram uma história plural e única.
O senhor Luiz relembra o ramal ferroviário com saudade de suas brincadeiras de menino, e nos conta: “Aqui tinha a linha do trem, com uma estaçãozinha, onde era a parada do trem (…) antigamente amarravam uma corda no poste da estaçãozinha do trem, então botavam um pote cheio de bala, davam um pau para nós, amarrava uma venda pra não enxergar nada e rodavam a gente; rodou, não sabe mais onde estava o pote e o pote estava lá no trilho”.
Nesta época é construída a Capela Nossa Senhora das Graças e, em 1952, a Escola Municipal Mista Irmã Anchieta, conhecida hoje como Grupo Escolar Carlos de Paula Seára.
 
Texto extraído do Anuário de Itajaí de 2000
Autora: Saionara Almeida Barbosa
ITAJAÍ/SC, 16 DE JUNHO DE 2014 - SEGUNDA-FEIRA